A população dos municípios brasileiros com orçamentos superiores a R$ 1 bilhão cresceu, em média, nos últimos anos. Das 195 cidades incluídas no levantamento, 147 registraram aumento no número de habitantes, enquanto 49 tiveram redução populacional.
Considerando o conjunto dos municípios analisados, a população passou de aproximadamente 99,5 milhões para 101,9 milhões de pessoas, uma alta de cerca de 2,4% na comparação entre a prévia do Censo 2022 e a estimativa populacional mais recente.
O crescimento, porém, ocorreu de forma desigual pelo país. Boa Vista (RR) apresentou a maior alta proporcional, de 22,7%, passando de cerca de 408 mil para 501 mil habitantes. Em seguida aparece Canaã dos Carajás (PA), que avançou 22,4%, de 75,4 mil para mais de 92 mil moradores.
Também estão entre os municípios que mais cresceram São João de Meriti (RJ), Senador Canedo (GO), Belford Roxo (RJ), Porto Seguro (BA), Sinop (MT), Chapecó (SC), Parauapebas (PA) e Juazeiro do Norte (CE). Todos tiveram expansão superior a 14%.
Quando considerada a quantidade de novos moradores, Manaus (AM) lidera com folga. A capital amazonense ganhou aproximadamente 272 mil habitantes no período. Rio de Janeiro (RJ), com acréscimo de 105 mil, e Goiânia (GO), com 97 mil, aparecem na sequência.
Na outra ponta, São Paulo teve a maior redução absoluta, com cerca de 288 mil moradores a menos. A população estimada da capital paulista é de 11,9 milhões de habitantes, mesmo após uma queda de 2,4%. A cidade possui ainda o maior orçamento municipal do país, superior a R$ 109 bilhões.
Entre as 26 capitais consideradas na análise, seis apresentaram queda populacional: São Paulo (-2,4%), Curitiba (-2,1%), Salvador (-2,0%), Porto Alegre (-1,1%), Fortaleza (-0,5%) e Palmas (-0,4%). Em sentido contrário, Boa Vista, Manaus, com alta de 13,3%, e Porto Velho, com 12,7%, registraram algumas das maiores expansões.
As maiores retrações proporcionais estão concentradas principalmente em municípios litorâneos e regiões metropolitanas do Sul e Sudeste. Cubatão (SP) teve a queda mais acentuada, de 10,9%, seguida por Itaguaí (RJ), com 6,6%, e Embu das Artes (SP), com 6,2%. Guarujá (SP), Maricá (RJ), Maringá (PR), Caxias do Sul (RS) e Santa Maria (RS) também aparecem entre os municípios com maiores reduções.
A distribuição dos municípios bilionários também é concentrada regionalmente. São Paulo reúne 57 cidades, seguido por Rio de Janeiro, com 21; Minas Gerais, com 18; Santa Catarina, com 12; e Paraná, com 11. Somados, os cinco estados representam quase 62% do total analisado.
As mudanças na população podem estar relacionadas a fatores econômicos, processos de urbanização e transformações no mercado de trabalho, com impactos diferentes entre regiões e municípios.
Os números populacionais divulgados pelo IBGE têm efeitos diretos sobre a administração pública. As estimativas são utilizadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) no cálculo das cotas do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), além de servirem de referência para diversos indicadores.
Municípios que considerarem os números incompatíveis com a realidade local podem contestar a estimativa. A Confederação Nacional de Municípios (CNM) orienta as prefeituras a apresentar, dentro do prazo estabelecido, justificativas técnicas e dados oficiais que indiquem eventuais inconsistências na projeção populacional.