
A distribuição desse público pelo território nacional mostra forte concentração regional. O Sudeste lidera com folga, reunindo 222.311 pessoas, o equivalente a cerca de 61% do total do país. Na sequência aparece o Nordeste, com 54.801 registros. Quando o recorte é feito por estados, São Paulo ocupa o primeiro lugar, com 150.958 pessoas em situação de rua. Rio de Janeiro e Minas Gerais vêm logo depois, com 33.656 e 33.139, respectivamente. Na outra ponta, o Amapá apresenta o menor número absoluto, com 292 pessoas.
Os dados têm como base o Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico), principal instrumento de identificação das famílias atendidas por políticas públicas, como o Bolsa Família, e referência para o repasse de recursos federais aos municípios. Segundo os pesquisadores, o fortalecimento desse sistema contribuiu para tornar o fenômeno mais visível e mensurável ao longo dos últimos anos.
A série histórica revela um comportamento particular durante a pandemia de covid-19. Entre 2020 e 2021, houve uma redução no número de pessoas em situação de rua, que caiu de 194.824 para 158.191. A partir de 2022, porém, o movimento se inverteu, com retomada do crescimento e manutenção dessa curva ascendente até o fim de 2025.
Para os especialistas do Observatório, esse avanço é explicado por um conjunto de fatores que se sobrepõem. Além do aprimoramento do CadÚnico, pesam a falta ou fragilidade de políticas estruturantes nas áreas de moradia, trabalho e educação, a precarização das condições de vida no período pós-pandemia e, mais recentemente, os impactos de emergências climáticas e deslocamentos forçados na América Latina. Um cenário complexo que desafia o poder público e exige respostas duradouras, ancoradas em políticas sociais sólidas — como sempre se fez quando o objetivo é reconstruir caminhos e devolver dignidade.