
A pesquisa ouviu gestores de 4.172 cidades, de um total de 5.568 municípios existentes no país. Entre os que responderam ao questionário, 1.202 afirmaram estar com débitos em atraso, o que corresponde a 28,8% do total. Outros 68,5% disseram manter os compromissos fiscais em dia, enquanto uma pequena parcela não respondeu ao item.
Além dos atrasos atuais, o estudo revela uma preocupação com o futuro próximo. Cerca de 31% das prefeituras admitem que deverão transferir despesas de 2025 para 2026 sem garantia de recursos suficientes, acumulando os chamados restos a pagar. Por outro lado, pouco mais de 62% informaram que não pretendem deixar dívidas sem cobertura orçamentária no próximo exercício.
Entre os fatores que pressionam as contas municipais estão políticas públicas de alcance nacional, como o piso salarial da enfermagem, o programa Mais Médicos e a ampliação do ensino em tempo integral. Outro ponto de forte apreensão entre os gestores é a proposta de aposentadoria integral para agentes comunitários de saúde e de combate às endemias, já aprovada no Senado Federal, cujo impacto pode chegar a cerca de R$ 70 bilhões para os cofres municipais.
A dependência financeira das prefeituras em relação aos repasses federais também aparece como pano de fundo do problema. Embora a maior parte da arrecadação fique com a União, a Constituição estabelece mecanismos de redistribuição, como o Fundo de Participação dos Municípios (FPM), fundamental para o equilíbrio das contas locais.
Apesar das dificuldades, o pagamento do 13º salário dos servidores está assegurado na quase totalidade das cidades. Segundo a pesquisa, 98% dos municípios afirmaram estar com a folha salarial em dia, incluindo salários e benefícios de dezembro. Para 94,7% dos gestores, o adicional de 1% do FPM repassado no fim do ano foi decisivo para garantir o cumprimento dessa obrigação.