
Em sentido oposto, caiu para 19,7% a parcela de consumidores que afirmam não ter dívidas — o menor percentual já apurado. Os dados fazem parte de levantamento recente da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
Além do crescimento do endividamento, a inadimplência voltou a subir após três meses de recuo. Em fevereiro, 29,6% das famílias relataram contas em atraso, maior nível desde novembro do ano anterior. Já o grupo que declarou não ter condições de quitar débitos atrasados apresentou leve redução, chegando a 12,6%, embora ainda acima do registrado em 2025.
O tempo médio de atraso também avançou, atingindo 65,1 meses, próximo do pico observado em dezembro de 2024. O resultado acompanha o aumento da proporção de inadimplentes com dívidas vencidas há mais de 90 dias, que chegou a 49,5%, indicando dificuldades financeiras mais persistentes.
No que diz respeito ao comprometimento da renda, 19,5% dos consumidores afirmaram destinar mais da metade dos ganhos ao pagamento de dívidas, mantendo estabilidade após dois meses de alta. A maioria das famílias (56,1%) compromete entre 11% e 50% da renda. O comprometimento médio ficou em 29,7%, ligeiramente abaixo do registrado no mesmo mês do ano anterior.
Outro movimento observado foi o crescimento, pelo sexto mês consecutivo, das dívidas de longo prazo — aquelas com duração superior a um ano — que atingiram 32,9% das famílias. Apesar de ainda inferior ao índice de 35,2% verificado no ano passado, o dado é o mais elevado desde abril de 2025 e aponta para um alongamento dos prazos de pagamento.
Especialistas destacam que a percepção de endividamento é baseada na avaliação individual dos consumidores e pode variar conforme fatores culturais e subjetivos. Dessa forma, o indicador não necessariamente reflete um quadro generalizado de superendividamento, mas sim a forma como as famílias percebem o peso de suas obrigações financeiras.