
Apesar de projeções do setor indicarem uma elevação média em torno de 8%, os reajustes efetivos têm superado essa estimativa. Em diversas distribuidoras, os índices avançam para dois dígitos, com maior intensidade nas regiões Sul e Sudeste.
Levantamento com base em dados da própria agência mostra que grandes concessionárias concentram parte significativa desses aumentos. Empresas como CPFL Paulista, Coelba, Enel Rio e Copel apresentam reajustes que variam de aproximadamente 12% a mais de 19%, impactando milhões de consumidores.
Em alguns casos, os aumentos se aproximam de 20%. A Copel, que atende cerca de 5 milhões de unidades consumidoras, discute em consulta pública uma revisão tarifária com elevação média de 19,2%. Já a CPFL Santa Cruz trabalha com reajuste próximo de 19% em municípios de São Paulo, Minas Gerais e Paraná.
Por outro lado, distribuidoras das regiões Norte e Nordeste têm conseguido conter parte das altas. A redução do impacto ocorre principalmente pela antecipação de recursos vinculados ao Uso de Bens Públicos (UBP), mecanismo que contribui para suavizar os reajustes e manter os índices, em geral, em um dígito.
Mesmo com essas medidas, a elevação das tarifas reflete pressões estruturais do setor elétrico. Entre os principais fatores está o aumento dos encargos, especialmente da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), que financia políticas públicas e é custeada diretamente pelos consumidores.
Com esse cenário, a tendência é de encarecimento contínuo da energia elétrica ao longo do ano, ampliando o custo de vida e comprometendo uma parcela maior da renda das famílias, sobretudo nas áreas onde os mecanismos de alívio tarifário têm menor alcance.