
De acordo com o estudo, o percentual corresponde a 150 dias do calendário dedicados ao pagamento de tributos. O resultado reforça a permanência da carga tributária brasileira em níveis elevados, cenário observado de forma contínua nas últimas duas décadas.
A pesquisa mostra que o peso dos impostos aumentou significativamente ao longo do tempo. Em 1986, eram necessários 82 dias de trabalho para custear os tributos. Dois anos depois, o índice caiu para 73 dias, mas voltou a crescer nas décadas seguintes, chegando a 130 dias em 2001. Desde então, o período exigido dos contribuintes tem variado entre 140 e 150 dias por ano.
Segundo o IBPT, o brasileiro atualmente dedica quase o dobro do tempo que dedicava na década de 1970 para cumprir suas obrigações tributárias.
Os dados também indicam uma trajetória de crescimento da carga tributária. Em 2003, ela representava 36,98% da renda dos contribuintes. Em 2007, ultrapassou a marca dos 40% e passou a permanecer próxima desse patamar, alcançando 40,80% em diversos anos recentes.
O levantamento considerou tributos cobrados entre maio de 2025 e abril de 2026, incluindo impostos federais, estaduais e municipais, como Imposto de Renda, INSS, ICMS, IPI, ISS, IPVA e IPTU. A análise foi feita com base em três faixas de rendimento mensal: até R$ 3 mil, de R$ 3 mil a R$ 10 mil e acima de R$ 10 mil.
Entre os fatores que contribuíram para a manutenção da elevada carga tributária estão os reajustes de ICMS promovidos por alguns estados, a ampliação da tributação sobre compras internacionais e o aumento de impostos incidentes sobre operações financeiras.
O estudo também aponta impacto da tributação sobre apostas esportivas e jogos online, da elevação da CSLL para fintechs e instituições financeiras, além de mudanças no Imposto de Renda sobre Juros sobre Capital Próprio (JCP) e no Imposto de Importação de determinados produtos tecnológicos.
Fundado em 1992, o IBPT desenvolve pesquisas voltadas à análise do sistema tributário nacional, arrecadação e transparência fiscal.