
Para além do incômodo estético, a imagem insistente é um desrespeito à moralidade pública. O governo do estado usa o recurso público para fazer a festa e em pleno período pré-eleitoral, que já pode até ser considerado eleitoral, já que estamos a menos de 100 dias do pleito, usa e abusa da estrutura que tem para fazer propaganda. Inclusive, pela forma como o nome de Brandão e do secretário de Cultura são repetidamente enaltecidos pelos artistas, parece existir uma orientação neste sentido.
Já não é razoável fazer propaganda institucional do governo em meio à festa, mas promoção pessoal com dinheiro público é expressamente proibido pela própria Constituição, que conforme o artigo 37, a administração pública direta e indireta de quaisquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios deve obedecer aos princípios de legalidade, impessoalidade, imparcialidade, moralidade, publicidade, transparência, inovação, responsabilidade, unidade, coordenação, boa governança pública, eficiência e subsidiariedade.
É bem verdade que, nunca na história do Maranhão, que tem o São João como seu principal atrativo cultural, a festa foi tão utilizada politicamente com afronta a tantos princípios da moralidade administrativa.
Vale destacar que a ex-governadora Roseana Sarney sempre usou o São João para alavancar sua popularidade. Mas o fazia ainda dentro do que permite a regra do jogo, como madrinha de Bois, tirando fotos, fortalecendo a sua imagem nos veículos de comunicação aliados, mas nunca a festa se tornou um palco da propaganda.
O sistema implantado pelo governo no São João é a volta do showmício – e fora do período eleitoral.
Mas como no Maranhão tudo pode…