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A vinda de Lula ao Maranhão e a resistência do campo progressista em subir no palanque de Brandão

Lula sabe da importância de vencer as eleições, mas entende que derrotar Bolsonaro não será suficiente, será necessário desconstruir o bolsonarismo para que o Brasil possa ser pacificado e voltar a crescer.

Para tanto, o ex-presidente teve que buscar construir um espectro de alianças que aglutinasse os partidos progressistas, mas também precisou buscar apoio de políticos ideologicamente mais próximos do centro e centro direita.

Como tática nacional para futura governabilidade no planalto central até é compreensível. Entretanto, essa “solução” tem criado uma série de imbróglios nas planícies estaduais, principalmente no Nordeste, onde o PT tem se descaracterizado para atender aos oligarcas locais, como é o caso da Paraíba, Pernambuco e Maranhão, somente para citar alguns onde filiados e dirigentes históricos foram impedidos de concorrer para dar lugar aos interesses dos coronéis locais que em muitos casos até bem pouco tempo tratavam os petistas como escória.

Na Paraíba, para cumprir acordo com o PSB, o PT não deu legenda para a Marília Arraes, militante histórica do PT pernambucano concorrer ao governo do Estado, praticamente a obrigando a sair do partido e ingressar no Solidariedade para concorrer ao Palácio do Campo das Princesas, estando inclusive liderando isoladamente todas as pesquisas de intenção de votos.

No Maranhão o problema é parecido, mas com um roteiro diferente; o ex-governador Flávio Dino filiou-se ao PSB para garantir o apoio de Lula aos seus planos pessoais de Poder e para ter comando sobre os dirigentes locais, cooptou a cúpula do partido através de cargos no governo até conseguir emparelhar o PT enxertando a agremiação com políticos profissionais de sua confiança sem qualquer afinidade com a sigla chegando ao ponto de indicar o neófito Felipe Camarão (ex- DEM) para ser o companheiro de chapa do governador-tampão Carlos Brandão, representante dos latifundiários e dos coronéis do interior maranhense, deixando grande parte da base do PT e do movimento sindical descontente, ao ponto de trabalhar abertamente pela eleição do senador Weverton ao governo do Estado.

Com a confirmação da vinda do ex-presidente ao Maranhão, Lula poderá descobrir de forma bem clara que o candidato dele não é o escolhido pela maioria de sua base de apoio no Maranhão, principalmente ligados aos movimentos sociais e sindical, que não aceitam votar em um candidato completamente fora do espectro progressista, que representa os latifundiários, que desrespeita nossos povos tradicionais, indígenas e agricultores familiares.

Para tentar pacificar e evitar constrangimentos à campanha de Lula enviou o Coordenador Gilberto Carvalho para conversar com todas as alas do partido e lideranças dos movimentos sociais e sindicais para pactuar o voto em Lula, mas respeitando a autonomia de cada um lembrando que temos que estar unidos para derrotar Bolsonaro.

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