
Levantamento da Confederação Nacional de Municípios (CNM) aponta que, sem medidas de compensação, as perdas podem alcançar pelo menos R$ 9,5 bilhões por ano. A maior parte desse impacto está ligada à redução na arrecadação do Imposto de Renda, estimada em R$ 5 bilhões, além de uma diminuição de aproximadamente R$ 4,5 bilhões nos repasses do próprio FPM.
A preocupação está diretamente associada às mudanças nas regras de isenção do Imposto de Renda, que tendem a reduzir a base de arrecadação. Dados do Tesouro Nacional indicam que diversos municípios podem não atingir as receitas previstas no orçamento, comprometendo a execução de políticas públicas.
Entre as capitais, os maiores prejuízos, em valores absolutos, devem atingir Fortaleza, com perda estimada de R$ 59 milhões, seguida por Salvador (R$ 53 milhões) e Manaus (R$ 41 milhões). Já nos municípios de menor porte, o impacto proporcional nas contas públicas é ainda mais sensível.
É o caso de São João da Baliza (RR), que pode deixar de receber cerca de R$ 210 mil — equivalente a 1% dos investimentos em infraestrutura. Em Cutias (AP), a perda estimada é de R$ 292 mil, valor próximo de 3% dos recursos aplicados em saúde. No município de Assis Brasil (AC), a redução pode chegar a R$ 361 mil, afetando cerca de 1,3% dos investimentos em educação.
Para tentar conter a queda na arrecadação, o governo federal anunciou a retomada da tributação sobre lucros e dividendos a partir de 2026. A medida prevê cobrança de 10% para pessoas físicas que receberem acima de R$ 50 mil mensais por empresa.
Ainda assim, gestores municipais avaliam que a efetividade dessas ações é incerta. A principal preocupação segue sendo a previsibilidade das receitas, considerada essencial para manter serviços públicos e garantir o equilíbrio fiscal das prefeituras.