
Segundo entidades empresariais, eventuais mudanças nas regras trabalhistas precisam considerar impactos sobre produtividade, competitividade das empresas e geração de empregos. O segmento argumenta que alterações imediatas podem elevar custos operacionais, afetar investimentos e provocar reflexos no mercado de trabalho.
A Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil afirmou acompanhar o avanço das discussões com cautela e destacou a necessidade de estudos técnicos antes de qualquer mudança no modelo atual de jornada. Para a entidade, uma implementação abrupta do fim da escala 6×1 pode resultar em aumento de despesas para empresas, necessidade de novas contratações e redução das margens de lucro, além de estimular informalidade e fechamento de vagas em alguns setores.
Durante o debate, representantes empresariais também alertaram para possíveis impactos ao consumidor. Entre os pontos citados estão o aumento no preço de produtos e serviços, além de dificuldades para preenchimento de postos de trabalho, especialmente nos segmentos de comércio e serviços.
A Federação das Associações Comerciais e Empresariais da Bahia ressaltou que o empresariado não é contrário à discussão sobre qualidade de vida dos trabalhadores nem à modernização das relações de trabalho. No entanto, a entidade argumenta que mudanças na jornada afetam diretamente custos das empresas, capacidade de investimento e desenvolvimento econômico.
Os participantes da audiência também defenderam maior participação do setor produtivo nas discussões sobre mudanças trabalhistas. Segundo representantes empresariais, o segmento precisa ampliar sua representação institucional no Congresso Nacional para fortalecer pautas ligadas à competitividade econômica e eficiência do gasto público.
A comissão especial da Câmara continua discutindo os impactos da redução da jornada semanal. Nesta terça-feira (19), o colegiado promove novas audiências públicas. Uma delas aborda os efeitos da escala 6×1 sobre a saúde dos trabalhadores e exemplos de negociações espontâneas. A outra debate propostas de redução da carga horária sob a perspectiva dos trabalhadores.