
Segundo o levantamento, entre 2016 e 2025, a participação das emendas no orçamento do Ministério da Saúde passou de 5% para 17%. No ano passado, os recursos provenientes desse mecanismo alcançaram R$ 21,5 bilhões. Como a definição dos beneficiários cabe aos parlamentares, a entidade avalia que os repasses podem seguir critérios políticos, em detrimento de necessidades técnicas.
A preocupação ganha força diante dos números previstos na Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026. O orçamento reserva R$ 61,8 bilhões em transferências discricionárias, com predominância de recursos destinados à área da saúde. Desse total, R$ 49,9 bilhões correspondem a emendas parlamentares individuais, de bancada e de comissão. Outros R$ 11,9 bilhões estão classificados como despesas genéricas.
A CNM também identificou forte concentração de recursos entre municípios com perfis semelhantes. Os 20 entes mais beneficiados receberam juntos R$ 488 milhões em valores empenhados, com média de R$ 23,8 milhões por cidade. Para atingir o mesmo montante, foi necessário somar aproximadamente mil municípios que registraram os menores repasses, com média de apenas R$ 488 mil cada.
De acordo com a entidade, esse cenário evidencia distorções na distribuição dos recursos públicos e pode ampliar desigualdades no acesso aos serviços de saúde.
O debate ganhou novos desdobramentos após o Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) solicitar uma investigação sobre os repasses de emendas parlamentares para a saúde nos municípios. Dados da CNM mostram que a União destinou R$ 234,5 bilhões ao setor em 2025 para cumprir o piso constitucional, sendo R$ 25,6 bilhões — equivalentes a 11% do total — provenientes de emendas.
Como alternativa para reduzir as disparidades, a Confederação Nacional de Municípios propõe a criação de um Fundo de Equalização e Compensação. A iniciativa seria financiada com 3% das transferências discricionárias, incluindo os recursos oriundos de emendas parlamentares.
A proposta prevê a redistribuição desses valores para municípios que receberam pouco ou nenhum repasse no exercício anterior. Entre os critérios considerados estariam o volume de recursos por habitante e indicadores socioeconômicos, como o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).
Para a CNM, a discussão deve avançar no Congresso Nacional como forma de fortalecer o pacto federativo, reduzir desigualdades regionais e garantir uma distribuição mais equilibrada dos recursos destinados à população.