
O levantamento também identificou resistência às propostas em discussão no Congresso Nacional. Entre os empresários consultados, 73% se manifestaram contra a redução da carga horária de 44 para 40 horas semanais. Já o fim da escala 6×1 é rejeitado por 57% dos entrevistados.
Na avaliação do setor, uma mudança nas regras trabalhistas pode elevar os custos de produção, reduzir a competitividade das empresas e limitar a capacidade de crescimento da indústria. A pesquisa aponta ainda que esses efeitos tendem a atingir toda a cadeia produtiva, influenciando investimentos, fornecedores e, consequentemente, a economia e os consumidores.
Os dados mostram que a jornada de 44 horas semanais continua predominante no país, sendo adotada por 85% das indústrias. Outras 12% operam com carga horária entre 40 e 44 horas, enquanto apenas 2% utilizam jornadas de 36 a 40 horas. O restante adota modelos diferentes para os trabalhadores da produção.
A sondagem destaca ainda que os acordos coletivos têm participação significativa na definição da jornada de trabalho. Em 37% das empresas, a carga horária é estabelecida por negociação entre empregadores e empregados. Nas médias indústrias, esse percentual chega a 40%, e, nas grandes, alcança 39%.
Outro dado apresentado pela pesquisa indica que 62% dos industriais acreditam que a redução da jornada ou a proibição da escala 6×1 pode comprometer benefícios atualmente garantidos por negociações coletivas. Em contrapartida, 20% discordam dessa avaliação, enquanto os demais não adotaram uma posição definida.
Para a CNI, o debate sobre possíveis mudanças na legislação trabalhista deve considerar estudos técnicos e o contexto econômico atual, de forma a avaliar os impactos sobre a produtividade, a geração de empregos e a competitividade da indústria brasileira.