
O levantamento revela que cerca de 4,4 bilhões de metros cúbicos de água foram perdidos ao longo do ano por vazamentos, falhas de medição e ligações irregulares. O volume equivale ao desperdício diário de aproximadamente 4,8 mil piscinas olímpicas e supera em mais de quatro vezes a capacidade anual do Sistema Cantareira.
Segundo o estudo, se consideradas apenas as perdas físicas na rede de abastecimento, o volume desperdiçado seria suficiente para atender cerca de 77 milhões de pessoas durante um ano. O número representa mais de um quarto da população brasileira e é mais que o dobro do contingente estimado de 33 milhões de habitantes sem acesso à água tratada.
Além dos impactos sociais, os pesquisadores destacam que a redução das perdas poderia ampliar a oferta de recursos hídricos sem a necessidade de buscar novas fontes de captação. O mesmo volume perdido também seria capaz de abastecer, por dois anos, os 17,2 milhões de brasileiros que vivem em áreas vulneráveis.
Apesar de uma pequena melhora nos últimos anos, os indicadores permanecem longe da meta nacional de 25% de perdas. Em 2020, o índice era de 40,14%, recuando para 39,53% em 2024.
As desigualdades regionais continuam marcantes. Norte e Nordeste concentram os piores resultados tanto na redução das perdas quanto nos serviços de abastecimento e saneamento. Entre 2020 e 2024, o Nordeste registrou aumento de 0,46 ponto percentual no índice de perdas, enquanto o Norte apresentou a maior redução, com queda de 1,79 ponto percentual.
No ranking estadual, os maiores índices foram registrados em Alagoas (66,90%), Roraima (65,97%), Pará (57,33%), Maranhão (56,68%), Acre (56,48%) e Sergipe (55,10%). Todos os estados superam com folga a média nacional.
Os melhores desempenhos ficaram com Piauí (24,61%), Goiás (27,13%), Mato Grosso do Sul (30,60%), Distrito Federal (31,55%), Tocantins (31,58%), São Paulo (32,15%) e Paraná (33,40%).
Nos municípios avaliados, a média de perdas alcançou 35,56% em 2024, acima dos 31,09% observados no ano anterior. Apenas 20 cidades apresentaram índices inferiores a 25%, enquanto 14 ultrapassaram a marca de 50%.
Entre os destaques positivos estão Suzano (SP), com apenas 1,27% de perdas, e Santos (SP), com 5,35%. Já os piores resultados foram observados em Parauapebas (PA), com 70,68%, Maceió (64,05%), Belo Horizonte (68,29%) e Várzea Grande (MT), com 59,03%.
O estudo mostra ainda que somente 12 dos 100 municípios mais populosos do país cumpriam, em 2024, as metas de redução de perdas estabelecidas pela Portaria nº 788/2024. Entre as capitais brasileiras, apenas Goiânia, São Paulo, Campo Grande e Teresina ficaram abaixo do limite de 25%. A média das 27 capitais foi de 39,30%.