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Brasil tem 195 municípios com receita acima de R$ 1 bilhão

O mapa da arrecadação pública no Brasil mostra, mais uma vez, a força histórica dos grandes centros urbanos. Em 2024, um grupo seleto de 195 municípios alcançou receitas orçamentárias superiores a R$ 1 bilhão, acumulando, juntos, mais de R$ 678 bilhões em arrecadação, conforme dados do Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público Brasileiro (Siconfi).

Essa concentração financeira dialoga diretamente com a dinâmica da economia nacional. Levantamento do levantamento divulgado recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indica que, em 2023, apenas 25 municípios foram responsáveis por 34,2% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília lideram essa lista, reafirmando o papel central das capitais e grandes metrópoles na geração de riqueza.

No recorte por estados, São Paulo aparece com ampla vantagem, reunindo R$ 250,8 bilhões em receitas municipais. O Rio de Janeiro ocupa a segunda posição, com arrecadação superior a R$ 92 bilhões, enquanto Minas Gerais figura em terceiro, com mais de R$ 53 bilhões somados pelas suas cidades bilionárias. O desempenho reflete a combinação de população numerosa e economias diversificadas.

Entre os municípios com maior volume de recursos, a cidade de São Paulo lidera o ranking nacional, com arrecadação acima de R$ 109 bilhões. O Rio de Janeiro vem logo atrás, seguido por Belo Horizonte. Salvador, Curitiba e Fortaleza mantêm posições de destaque, enquanto Manaus, Porto Alegre, Recife e Campinas completam o grupo das dez maiores receitas orçamentárias do país.

O estudo do IBGE também aponta um sinal de alerta para municípios cuja economia depende fortemente da exploração de petróleo. Maricá, Niterói e Saquarema, no Rio de Janeiro, além de Ilhabela, em São Paulo, e Campos dos Goytacazes, registraram retração na participação do PIB nacional. Esse movimento ajudou a reduzir o ritmo da desconcentração econômica observada nos últimos anos.

Como resultado, a fatia dos municípios que não são capitais no PIB caiu de 72,5% em 2022 para 71,7% em 2023. Em sentido oposto, as capitais ampliaram sua participação para 28,3%. O setor de serviços teve papel decisivo nesse avanço, com destaque para São Paulo, que sozinha passou a responder por 9,7% de toda a riqueza produzida no país.

Analistas avaliam que fatores tradicionais, como escala populacional, infraestrutura consolidada e dinamismo dos setores de serviços e indústria, continuam sendo determinantes para que cidades atinjam níveis elevados de arrecadação. Um retrato que mostra como o passado econômico ainda molda, com força, o presente das finanças municipais brasileiras.

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