O cenário das doenças respiratórias apresenta melhora na maior parte do Brasil, embora alguns estados ainda concentrem índices elevados de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). De acordo com a nova edição do Boletim InfoGripe da Fiocruz, 23 das 27 Unidades da Federação têm registros estáveis ou em queda.
Rondônia, Mato Grosso, Bahia e Sergipe destoam do cenário nacional por apresentarem sinais de aumento dos casos. Além disso, 14 estados permanecem classificados em níveis de alerta, risco ou alto risco para SRAG: Acre, Amazonas, Bahia, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Roraima, Santa Catarina e Sergipe.
Os dados acumulados em 2026 mostram 133.709 notificações de SRAG no país. Mais da metade delas, 53,9%, teve confirmação laboratorial de infecção por vírus respiratório. O VSR aparece como o principal agente identificado, responsável por 42,2% dos resultados positivos, seguido pelo rinovírus, com 30%.
A influenza A corresponde a 18,6% dos casos positivos, enquanto a influenza B representa 5,2%. O coronavírus causador da Covid-19 aparece em 4% dos resultados.
VSR continua em níveis elevados – Embora a tendência nacional seja de redução das hospitalizações graves provocadas pelo vírus sincicial respiratório, oito estados ainda apresentam circulação elevada: Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Roraima, São Paulo, Santa Catarina, Sergipe e Rio Grande do Sul.
O comportamento da influenza também varia entre as regiões. A temporada de maior circulação da influenza A já terminou, mas Minas Gerais e Roraima continuam registrando níveis altos de casos graves.
A influenza B, por outro lado, segue avançando em parte do Centro-Sul, principalmente no Espírito Santo, em Minas Gerais e no Rio Grande do Sul. O ritmo de crescimento diminuiu no Rio de Janeiro e em Santa Catarina. Ceará, Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo já apresentam redução.
Para a Covid-19, o InfoGripe identificou uma discreta elevação dos casos graves no Maranhão e no Amazonas. O levantamento também aponta aumento das internações relacionadas ao metapneumovírus na Região Sul, em São Paulo, Pernambuco e Amazonas. O rinovírus registra crescimento em Minas Gerais e no Rio Grande do Sul, sem provocar, na maior parte desses locais, aumento expressivo da SRAG.
Belém e Porto Velho têm tendência de alta – Entre as capitais, duas chamam atenção pela combinação de incidência elevada e tendência de crescimento: Belém, no Pará, e Porto Velho, em Rondônia.
Belo Horizonte, Boa Vista, Brasília, Manaus, Rio Branco e São Luís também apresentam níveis de SRAG classificados como alerta, risco ou alto risco. Nesses municípios, entretanto, o levantamento não identificou crescimento na tendência de longo prazo.
Vacinação segue como principal proteção – A Fiocruz recomenda a manutenção das medidas de prevenção, principalmente nas localidades onde a circulação de vírus respiratórios permanece elevada. A vacinação é apontada pelos pesquisadores como a principal ferramenta para evitar formas graves e mortes provocadas por influenza, VSR e Covid-19.
O uso de máscara é indicado em unidades de saúde e em ambientes fechados ou com grande concentração de pessoas. A higienização das mãos também deve ser mantida.
Quem apresentar sintomas de gripe ou resfriado deve evitar a circulação e, quando possível, permanecer afastado de outras pessoas. Caso seja necessário sair de casa, a orientação é utilizar máscara para reduzir o risco de transmissão.