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Pesquisa indica que pausa no uso de canetas emagrecedoras acelera retomada do peso

Interromper o uso de medicamentos injetáveis indicados para o emagrecimento pode levar à recuperação rápida dos quilos perdidos, segundo uma análise publicada no British Medical Journal. O estudo aponta que esse retorno ocorre em velocidade até quatro vezes maior do que entre pessoas que emagrecem apenas com mudanças na alimentação e prática de exercícios físicos.

A pesquisa reuniu dados de 37 estudos internacionais, somando mais de 9 mil pacientes, e comparou diferentes estratégias de perda de peso. Os resultados mostram que usuários das chamadas “canetas emagrecedoras” chegam a perder cerca de 20% do peso corporal durante o tratamento. Após a suspensão, porém, a média de recuperação é de aproximadamente 0,8 quilo por mês, o que pode levar ao retorno ao peso anterior em cerca de um ano e meio.

Apenas oito dos estudos analisados focaram especificamente nos medicamentos mais recentes da classe dos agonistas do GLP-1, como Wegovy e Mounjaro. O acompanhamento máximo após a interrupção do uso foi de um ano, o que faz com que os pesquisadores considerem os números como estimativas.

Em comparação, pessoas que emagrecem apenas com dieta tendem a perder menos peso, mas recuperam os quilos de forma mais lenta, em média 0,1 quilo por mês, embora exista ampla variação entre os pacientes.

Experiências relatadas por usuários ajudam a explicar o fenômeno. Muitos descrevem que, ao parar o tratamento, a fome retorna de forma intensa e repentina, dificultando a manutenção do peso alcançado.

No Reino Unido, estima-se que cerca de 1,6 milhão de adultos tenham utilizado esses medicamentos no último ano, em sua maioria por meio de prescrições privadas, fora do sistema público de saúde, o NHS. Dados da Cancer Research UK indicam ainda que 3,3 milhões de pessoas pretendem utilizar as injeções no próximo ano, o equivalente a cerca de um em cada dez adultos. O uso é mais comum entre mulheres e pessoas de 40 a 50 anos.

O NHS recomenda esse tipo de tratamento apenas para casos de obesidade associada a riscos à saúde, e não para quem busca perder poucos quilos. Especialistas destacam que os dados reforçam a compreensão da obesidade como uma condição crônica, que exige acompanhamento contínuo.

No Brasil, Wegovy e Mounjaro são aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária para o tratamento da obesidade. Em dezembro de 2025, a Anvisa ampliou a indicação do Wegovy para o tratamento de gordura no fígado associada à inflamação. O Mounjaro passou a ser comercializado em farmácias brasileiras em maio de 2025, apesar de ter sido aprovado em 2023. Nenhum dos dois medicamentos é ofertado atualmente pelo Sistema Único de Saúde.

O custo é outro fator limitante. Quatro doses mensais da menor concentração do Mounjaro custam em torno de R$ 1.400, o que dificulta o acesso ao tratamento prolongado para grande parte da população.

Em nota, a Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, afirmou que o uso do medicamento deve estar associado a alimentação equilibrada, prática de atividade física e acompanhamento médico. Já a Novo Nordisk, responsável pelo Wegovy, destacou que os resultados reforçam a necessidade de tratar a obesidade de forma contínua, assim como outras doenças crônicas, como diabetes e hipertensão.

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