
O estudo aponta que a diminuição das horas trabalhadas tende a elevar o custo da mão de obra para manter os níveis atuais de produção. Esse aumento pode ser repassado ao longo da cadeia produtiva, pressionando preços desde insumos industriais até bens e serviços finais ao consumidor.
Entre os setores, a indústria deve concentrar os maiores impactos, com queda projetada de 1,2% no PIB, o que representa R$ 25,4 bilhões. Segundo a CNI, isso ocorre porque o segmento reúne uma parcela expressiva dos empregos formais. Outros setores também devem registrar retração, como serviços (-0,8%, ou R$ 43,5 bilhões), comércio (-0,9%, ou R$ 11,1 bilhões), agropecuária (-0,4%, ou R$ 2,3 bilhões) e construção (-0,3%, ou R$ 921,8 milhões).
Além da desaceleração econômica, a medida pode impactar diretamente o custo de vida. Outro levantamento da entidade aponta que os preços ao consumidor podem subir, em média, 6,2%. Entre os principais aumentos estimados estão alimentos comprados em supermercados (+5,7%), refeições fora de casa (+6,2%), produtos industrializados (+6%) e itens de vestuário, como roupas e calçados (+6,6%). No setor de serviços, a alta média pode chegar a 6,5%.
A CNI acompanha propostas em análise no Congresso Nacional, como as PECs 148/2015 e 8/2025, que tratam da redução da jornada de trabalho. A entidade defende que o tema seja debatido de forma ampla e criteriosa, com participação dos setores produtivos e da sociedade, evitando decisões apressadas, especialmente em períodos eleitorais.