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Brasil precisa investir R$ 900 bilhões para universalizar saneamento até 2033

A universalização do saneamento básico no Brasil dependerá de uma forte aceleração dos investimentos nos próximos anos. Embora o setor tenha registrado avanços recentes, o país ainda está distante do volume de recursos considerado necessário para garantir água potável e serviços de esgoto à maior parte da população até 2033.

Um levantamento da Associação Brasileira das Empresas de Saneamento (Abcon),  aponta que aproximadamente R$ 29,1 bilhões foram aplicados no setor em 2024. O montante representa um avanço, mas permanece abaixo das necessidades projetadas para a expansão da infraestrutura.

A legislação brasileira determina que, até 2033, o atendimento com água potável alcance 99% da população. Para os serviços de coleta e tratamento de esgoto, a meta estabelecida é de 90%. O cumprimento desses objetivos exige a construção e ampliação de redes, estações de tratamento e demais estruturas de saneamento.

O tamanho do desafio pode ser medido pelas projeções financeiras. Cálculos apresentados pela Abcon indicam que a universalização poderá exigir investimentos próximos de R$ 900 bilhões. Na prática, isso significa manter por vários anos um nível de aplicação de recursos significativamente superior ao registrado atualmente.

A situação é ainda mais complexa porque a oferta dos serviços não ocorre de maneira uniforme no território nacional. O abastecimento de água apresenta indicadores mais próximos da meta, enquanto o esgotamento sanitário continua sendo o principal gargalo. Municípios e regiões com menor cobertura concentram parte relevante das necessidades de expansão.

A participação do setor privado também ganhou espaço desde a aprovação do novo Marco Legal do Saneamento, em 2020. Concessões e novos contratos passaram a integrar a estratégia de ampliação dos serviços e de atração de capital para obras de infraestrutura.

O impacto da expansão, porém, vai além da melhoria dos serviços públicos. De acordo com estimativas da Abcon, o esforço necessário para universalizar o saneamento pode acrescentar R$ 1,4 trilhão à economia brasileira até 2033 e resultar na criação de mais de 1,5 milhão de empregos durante esse período.

O cenário coloca a continuidade dos investimentos como um dos principais desafios do setor. Para alcançar as metas legais, será necessário transformar o crescimento recente dos aportes em uma política de expansão permanente, com prioridade para as áreas que ainda apresentam os maiores déficits.

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