Blog do Rogério Silva - Notícias em tempo real

Estados têm representação desigual na Câmara e no Senado

Embora todos os brasileiros tenham direito a um voto nas eleições gerais, a influência desse voto sobre a composição do Congresso Nacional não é a mesma em todos os estados. As regras de distribuição das cadeiras na Câmara dos Deputados e no Senado fazem com que a representação da população seja diferente entre as unidades da Federação.

Na Câmara dos Deputados, a Constituição determina que nenhum estado tenha menos de oito representantes nem mais de 70. O modelo beneficia estados com menor eleitorado, que acabam elegendo mais parlamentares proporcionalmente à sua população, enquanto os mais populosos ficam com uma representação menor em relação ao número de eleitores.

A diferença pode ser observada na relação entre eleitores e cadeiras. Em Roraima, cada vaga na Câmara corresponde, em média, a cerca de 45,8 mil eleitores. Em São Paulo, essa proporção chega a aproximadamente 495,3 mil eleitores por deputado, uma distância de mais de dez vezes.

Apesar desses números, o total de eleitores correspondente a uma cadeira não representa a quantidade de votos necessária para um candidato ser eleito. A escolha dos deputados federais ocorre pelo sistema proporcional, em que as vagas são distribuídas inicialmente entre partidos e federações conforme o quociente eleitoral. Somente depois dessa etapa os candidatos mais votados de cada legenda ocupam as cadeiras conquistadas.

Esse modelo explica situações registradas nas eleições de 2022. No Amapá, Silvia Waiãpi (PL) foi eleita com 5.435 votos, enquanto Dr. Pupio (MDB) conquistou uma vaga com 5.787 votos. Já em São Paulo, Tiririca (PL), o deputado federal eleito com a menor votação no estado, recebeu 71.754 votos. Ao mesmo tempo, candidatos paulistas com mais de 100 mil votos não conseguiram mandato.

No Senado, a diferença de representatividade é ainda maior. Todos os estados e o Distrito Federal elegem três senadores, sem considerar o tamanho do eleitorado. Dessa forma, Roraima, com pouco mais de 400 mil eleitores previstos para 2026, terá o mesmo número de representantes que São Paulo, que reúne mais de 34 milhões de eleitores.

Na prática, cada cadeira no Senado representa, em média, cerca de 133 mil eleitores em Roraima. Em São Paulo, esse número ultrapassa 11 milhões de eleitores por senador. Neste ano, os brasileiros voltarão às urnas para escolher presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e deputados estaduais ou distritais.

Categoria: Notícias