Os números mais recentes mostram que, embora haja avanços, a universalização do saneamento e da coleta de resíduos continua distante da realidade brasileira. A prática da queima de lixo em áreas rurais, o despejo de dejetos em locais inadequados e o crescimento da dependência de imóveis alugados revelam que as desigualdades socioeconômicas e estruturais ainda moldam o cenário das moradias no país.
Entre os fenômenos sociais em destaque está a mudança no perfil das residências. O número de lares alugados cresceu 45,4% entre 2016 e 2024, passando de 12,3 milhões para 17,8 milhões, enquanto caiu o percentual de imóveis próprios quitados, que recuou de 66,8% para 61,6%. Também chama atenção o aumento dos lares unipessoais: em 2012 representavam 12,2% do total e em 2024 chegaram a 18,6%. Entre os homens que vivem sozinhos, 57,2% têm entre 30 e 59 anos, e entre as mulheres, a maioria tem 60 anos ou mais.
No campo do saneamento, a situação é igualmente desigual. Em 2024, apenas 9,4% dos domicílios rurais estavam ligados à rede geral de esgoto ou a fossas sépticas adequadas, enquanto nas cidades a cobertura chegava a 78,1%. Nacionalmente, houve evolução de 68,1% em 2019 para 70,4% em 2024. Apesar disso, 14,4% das moradias — 11,1 milhões — ainda despejavam dejetos em fossas rudimentares, rios, lagos ou no mar. Mais da metade das casas rurais, 53,8%, dependiam dessas soluções precárias, contra 9,5% dos domicílios urbanos.
A coleta direta de lixo também apresenta contrastes marcantes. Em 2024, 86,9% dos 77,3 milhões de lares do país contavam com o serviço, acima dos 82,7% registrados em 2016. Nas cidades, a cobertura alcança 93,9% dos domicílios, mas no campo não passa de 33,1%. O resultado é que 4,7 milhões de residências, cerca de 6,1% do total, ainda recorrem à queima do lixo, prática comum em áreas rurais, onde chega a ser adotada por 50,5% das famílias. Nas zonas urbanas, o índice cai para apenas 0,4%.