Blog do Rogério Silva - Notícias em tempo real

Mudança no projeto da Transnordestina pode retirar conexão ferroviária de Porto Franco

A possibilidade de alterar o traçado da Ferrovia Transnordestina colocou o sul do Maranhão no centro de um debate sobre logística e desenvolvimento regional. A Transnordestina Logística S.A. (TLSA), controlada pela Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), propôs ao Ministério dos Transportes que a ligação da ferrovia com a Ferrovia Norte-Sul deixe de ser feita em Porto Franco (MA) e passe para Guaraí (TO).

O Ministério dos Transportes informou que a proposta está em avaliação e que ainda não há decisão sobre o traçado definitivo. Segundo a pasta, o projeto de integração entre a Malha Nordeste e a Ferrovia Norte-Sul continua na fase de estruturação, enquanto a Infra S.A. prepara a documentação necessária para contratar os Estudos de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA), que vão subsidiar a decisão.

Pela alternativa apresentada pela concessionária, a conexão ferroviária sairia de Eliseu Martins (PI) em direção ao Terminal de Guaraí, localizado em Tupirama (TO), onde se encontra a Ferrovia Norte-Sul. Dados da Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (Abifer) indicam que esse percurso teria aproximadamente 654 quilômetros, extensão superior à ligação atualmente prevista por Porto Franco.

A eventual mudança preocupa autoridades e representantes do setor produtivo maranhense, que avaliam que o município poderá perder um investimento considerado estratégico para a economia da região. A Prefeitura de Porto Franco afirma acompanhar as discussões e defende a manutenção da conexão ferroviária na cidade, argumentando que o empreendimento é fundamental para impulsionar o desenvolvimento do sul do estado.

A Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Porto Franco também se posicionou contra a alteração. A entidade sustenta que a retirada do projeto do município reduziria oportunidades de expansão econômica e reforça que a escolha do traçado deve considerar não apenas aspectos operacionais, mas também os impactos sociais, econômicos e o equilíbrio do desenvolvimento regional.

Entre os moradores, o tema também desperta apreensão. A comunicadora Karoll Polino, residente em Porto Franco, afirma que a cidade sempre foi vista como um importante polo logístico e que a possibilidade de perder a conexão ferroviária gera incertezas sobre o futuro da economia local.

No Tocantins, por outro lado, a proposta é vista como uma oportunidade de fortalecer a infraestrutura estadual. Representantes do setor produtivo acreditam que a ligação em Guaraí poderá ampliar a competitividade da economia, estimular a industrialização, fortalecer a cadeia de alimentos, atrair novos empreendimentos e ampliar a geração de empregos.

Na avaliação da Federação das Indústrias do Estado do Tocantins (FIETO), a alteração não deve provocar impactos negativos para a indústria local, desde que a definição seja respaldada por estudos técnicos, econômicos e socioambientais.

Considerada uma das principais obras de infraestrutura logística do país, a Ferrovia Transnordestina terá cerca de 1.750 quilômetros de extensão e foi planejada para ampliar o transporte de grãos, minérios, fertilizantes, combustíveis, cimento e outras cargas produzidas no Nordeste. O empreendimento é executado pela CSN em parceria com o Governo Federal.

A primeira etapa da ferrovia, entre Eliseu Martins (PI) e o Porto do Pecém (CE), possui cerca de 1.206 quilômetros e reúne investimentos estimados em R$ 15 bilhões. De acordo com o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), aproximadamente 75% dessa fase já foram concluídos, com previsão de entrega em 2027. A segunda etapa da obra tem conclusão prevista para 2029.

Categoria: Notícias