Pagar para morar esta comprometendo cada vez mais o orçamento das famílias brasileiras. Uma pesquisa da organização Habitat para a Humanidade Brasil, com 1.400 entrevistados em todo o país entre abril e junho deste ano, revela que 74% precisaram abrir mão de alguma despesa para não atrasar o aluguel ou a parcela do financiamento.
O dado mais preocupante é o tipo de corte. Quase metade dos ouvidos, 48%, passou a gastar menos com alimentação. Quando considerados apenas os itens básicos para viver, como comida, remédio e roupa, o índice de corte chega a 34%.
O medo de perder a casa também cresceu. Mais da metade, 56%, afirma temer que um imprevisto, como doença ou perda de emprego, impeça a permanência no imóvel atual.
Um dos sinais de que a situação saiu do controle é quando o pagamento do aluguel passa a depender, todo mês, de cartão de crédito, empréstimo ou do corte de itens essenciais. Nesses casos, a orientação é não criar uma nova dívida para cobrir a antiga.
Diante da dificuldade, a saída é antecipar a negociação com o proprietário ou a imobiliária para tentar rever valor, prazo e condições. Quando o aperto financeiro se torna permanente, avaliar uma desocupação planejada pode ser a forma de evitar que a dívida continue crescendo.
No financiamento, o caminho é procurar o banco antes de atrasar. As instituições têm programas próprios de renegociação, mas é preciso analisar as condições do novo acordo.
Ignorar o problema tem custo. No aluguel, o atraso pode terminar em ação de despejo e não existe prazo mínimo de tolerância previsto em lei. No financiamento com alienação fiduciária, o banco pode retomar o imóvel após o rito legal.
A Justiça só revê o contrato quando há cláusula abusiva comprovada. Dificuldade financeira, isoladamente, não autoriza a mudança do acordo. Por isso, a orientação é colocar no papel todas as dívidas, revisar o contrato e não deixar de responder às notificações do credor.