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Insatisfação da indústria com margem de lucro é a maior desde a pandemia

A insatisfação da indústria com a margem de lucro é a maior desde a pandemia. O índice de satisfação com a lucratividade caiu 1,3 ponto no terceiro trimestre de 2026, para 42,2 pontos, segundo a Sondagem Industrial da CNI. É o pior patamar desde o segundo trimestre de 2020, no auge da crise sanitária.

O levantamento mostra que o descontentamento não está só no lucro. A satisfação com o acesso ao crédito recuou 0,5 ponto, para 39,4 pontos, e a avaliação sobre a situação financeira das empresas caiu 0,2 ponto, para 47,4 pontos.

O custo de produção segue pressionando. O índice de evolução do preço de insumos e matérias-primas caiu 3,6 pontos, para 60,5 pontos, abaixo da média histórica para o terceiro trimestre, mas ainda acima dos 50 pontos, o que indica que os preços continuam subindo, em ritmo menor.

Os estoques também preocupam. O indicador que compara o estoque efetivo ao planejado subiu pelo terceiro mês seguido e chegou a 50,8 pontos em setembro, o maior nível em quase três anos.

Produção e emprego em queda – A atividade industrial perdeu força em setembro. O índice de evolução da produção ficou em 46,7 pontos, abaixo da linha de 50 pontos, apontando retração frente a agosto. O índice de número de empregados fechou em 48 pontos, indicando percepção de redução de vagas.

O único ponto positivo foi a Utilização da Capacidade Instalada (UCI), que subiu 1 ponto percentual, para 70%, igualando o resultado do mesmo período de 2025.

O que mais trava a indústria – A carga tributária segue como o principal entrave, citada por 37,2% dos empresários, alta de 3,9 pontos sobre o trimestre anterior.

A demanda interna insuficiente saltou da 4ª para a 2ª posição, mencionada por 29,6% dos industriais, avanço de 3 pontos. Os juros elevados ficaram em 3º lugar, citados por 24,3%, alta de 0,6 ponto.

As expectativas para os próximos seis meses praticamente não mudaram e seguem abaixo da média histórica: demanda subiu 0,3 ponto, para 51,5 pontos; compra de insumos ficou estável em 50,4 pontos; emprego caiu 0,5 ponto, para 48,7 pontos; e exportação avançou 0,3 ponto, para 49,2 pontos.

Na prática, os empresários ainda esperam crescimento da demanda e das compras de matéria-prima, mas projetam queda no emprego e nas exportações.

Após quatro quedas consecutivas e atingir o pior nível desde a pandemia, a intenção de investir reagiu em outubro, com alta de 1,3 ponto, para 52,6 pontos. Apesar da recuperação, o indicador ainda acumula perda de 3,3 pontos em 2026.

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