A economia brasileira encerrou julho com retração de 0,4% em relação ao mês anterior, segundo o Monitor do PIB-FGV, produzido pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getulio Vargas (FGV). O resultado mensal foi afetado principalmente pelo desempenho da agropecuária, enquanto indústria e serviços não apresentaram variação significativa.
Mesmo com a queda registrada em julho, a atividade econômica manteve resultado positivo em outras bases de comparação. Na relação com julho de 2025, houve crescimento de 1,3%. Considerando o trimestre móvel terminado no mês, a expansão foi de 1,6%. Em 12 meses, o avanço acumulado chegou a 1,8%.
O levantamento estima que o PIB brasileiro tenha somado R$ 7,853 trilhões entre janeiro e julho de 2026, considerando valores correntes.
O desempenho observado em julho ocorre em um cenário de maior pressão sobre a atividade econômica. No mercado doméstico, os juros elevados e o endividamento das famílias permanecem entre os fatores que limitam o consumo. No exterior, as tarifas aplicadas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros e a valorização do petróleo também afetam as perspectivas.
Entre os componentes da demanda, o consumo das famílias apresentou crescimento de 0,4% no trimestre móvel até julho. A expansão foi concentrada principalmente nos bens duráveis. Serviços e produtos não duráveis tiveram participação mais limitada. A taxa foi a mais baixa desde o período encerrado em outubro de 2025.
O setor externo também apresentou movimentos distintos. As exportações avançaram 0,3% no trimestre, com destaque para os serviços e os produtos agropecuários. Os bens intermediários contribuíram em menor proporção. Já os produtos da indústria extrativa tiveram impacto negativo e reduziram o resultado geral.
Nas importações, o crescimento foi mais expressivo, de 3,9% no trimestre encerrado em julho. Serviços, bens de consumo e bens de capital foram os principais responsáveis pela expansão. Apesar disso, o ritmo de alta ficou abaixo do observado nos períodos anteriores.
Os dados indicam, portanto, uma economia ainda em expansão quando consideradas as comparações anuais e acumuladas, mas com perda de força no resultado mensal e em alguns indicadores de atividade.