Os juros elevados seguem como principal entrave ao financiamento da indústria. Para 76% das empresas com dificuldade de obter crédito de até cinco anos, as taxas são o maior obstáculo. No longo prazo, acima de cinco anos, o índice é de 68,8%.
Os dados são da Sondagem Especial nº 107 – Condições de Acesso ao Crédito em 2026, da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Foram ouvidas 1.701 empresas industriais entre fevereiro e julho. Destas, 692 são de pequeno porte, 612 de médio e 397 de grande porte.
O percentual recuou em relação à pesquisa anterior. No levantamento passado, era de 80% no curto prazo e de 71% no longo. Mesmo assim, os juros seguem no topo do ranking de barreiras.
A segunda maior dificuldade é a exigência de garantias reais, como imóveis. O problema foi citado por 33,4% das empresas no crédito de curto e médio prazo e por 31,5% no longo prazo.
No curto prazo, a burocracia aparece em terceiro lugar, com 13,6%. No longo prazo, o terceiro entrave é o prazo de carência inferior ao necessário, com 18,9%.
A sondagem mostra que 49,9% das indústrias não buscaram crédito de curto e médio prazo no período e 54% não buscaram no longo prazo. Isso não significa necessariamente restrição, pois parte utilizou recursos próprios.
Entre as que buscaram, a frustração é alta. No curto prazo, 22,9% conseguiram contratar ou renovar e 7,5% tentaram sem sucesso. Considerando apenas quem buscou, 24,7% não obtiveram. No longo prazo, 15,5% conseguiram e 9,2% não. Entre os que tentaram, 37,2% ficaram sem crédito.
As pequenas empresas são as mais afetadas. No curto prazo, 32% das pequenas que buscaram crédito não conseguiram, ante 28,4% das médias e 20,3% das grandes. No longo prazo, os índices são de 48,2% das pequenas, 48,1% das médias e 29,9% das grandes.