Apenas 930 dos 5.568 municípios brasileiros obtiveram nota A na avaliação da qualidade das informações fiscais referentes às contas de 2025. O número corresponde a 16,70% das cidades e mostra que a maioria das administrações municipais ainda apresenta dificuldades para fornecer dados consistentes aos órgãos de controle, segundo levantamento da Confederação Nacional de Municípios (CNM) com base no Ranking do Tesouro Nacional.
O desempenho municipal é medido em uma escala que vai de A a E. A faixa mais alta reúne administrações que alcançam mais de 95% de conformidade nas informações apresentadas, enquanto a classificação E corresponde a índices inferiores a 65%.
Apesar do avanço na faixa de excelência, o número de municípios classificados na pior categoria também aumentou. A quantidade de cidades com nota A passou de 547, em 2024, para 930 em 2025. No mesmo período, os municípios na faixa E subiram de 683 para 759.
A classificação B continua concentrando a maior parcela das prefeituras. Em 2025, 2.583 municípios, ou 46,39% do total, ficaram nessa categoria. Já as notas C e D foram atribuídas a 995 e 301 cidades, respectivamente.
Entre os principais problemas identificados estão as divergências entre os dados registrados pelas prefeituras e as informações disponíveis nos sistemas federais. No caso do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), 75,56% das administrações apresentaram valores compatíveis com os registros da União. Em 24,44% dos casos, foram encontradas diferenças.
Na área da Educação, o cruzamento entre os dados contábeis municipais e o Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Educação (Siope) apresentou um dos menores índices de conformidade. Apenas 59,41% dos municípios forneceram informações sem divergências relacionadas aos repasses de impostos destinados ao setor.
Também foram identificadas inconsistências nas informações sobre o Fundeb. A correspondência entre os dados chegou a 74,44% nas receitas gerais e a 69,11% nos valores referentes à complementação da União. Já os registros sobre impostos arrecadados diretamente pelos municípios apresentaram 71,08% de conformidade.
Na Saúde, o levantamento aponta dificuldades principalmente na identificação da origem dos recursos utilizados. O preenchimento correto dos códigos correspondentes às fontes das verbas foi registrado em 75,05% dos municípios. Na Educação, o índice para esse mesmo tipo de informação ficou em 72,22%.
O desempenho também apresenta diferenças significativas entre os estados. O Espírito Santo foi o único estado em que todos os municípios ficaram nas faixas A ou B. Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Pernambuco e São Paulo também aparecem entre os estados com maior concentração de administrações nas categorias superiores.
Na outra ponta, Tocantins registrou o maior percentual de municípios na faixa E, com 38,9%. Em seguida aparecem Amapá, com 37,5%; Rio de Janeiro, com 37%; Acre, com 31,8%; Paraíba, com 30%; e Pará, com 28,5%.
Além da ampliação do número de municípios avaliados em diferentes critérios, o processo de fiscalização também se tornou mais abrangente. Entre 2019 e 2025, a quantidade de verificações realizadas pelo governo federal passou de 72 para 207, crescimento de 187,5%. Somente na edição mais recente, foram acrescentados 25 novos testes.