O Pacífico Equatorial registrou em outubro o aquecimento mais intenso já observado para o mês. O fenômeno El Niño entrou na categoria muito forte após a região Niño 3.4 apresentar anomalia média de +2,47°C, de acordo com levantamento do Instituto Nacional de Meteorologia. É o maior valor para outubro em toda a série histórica do órgão. Nos últimos sete dias do mês, o desvio chegou a +2,5°C.
O índice utilizado pela Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos também confirma o patamar mais alto. O Índice Oceânico Niño Relativo atingiu +2,0°C no trimestre de agosto a outubro de 2026, marca que indica o início da categoria muito forte.
O RONI avalia o quanto a superfície do mar na região Niño 3.4 está mais quente que a média. O diferencial é que o cálculo leva em conta o aquecimento dos demais oceanos tropicais e retira a influência do aquecimento global, permitindo medir o aquecimento isolado do Pacífico. A NOAA adota média móvel trimestral para classificar o fenômeno, com a janela avançando a cada atualização.
Em boletim de outubro, o Centro de Previsão Climática da agência americana projetou 96% de probabilidade de o El Niño seguir como muito forte entre novembro de 2026 e janeiro de 2027.
O aquecimento histórico se espalhou por outras áreas de monitoramento. Na região Niño 3, a média de outubro foi de +3,56°C, enquanto o dado semanal alcançou +3,7°C na última semana, superando o recorde anterior de +3,6°C de dezembro de 1982.
Na região Niño 1+2, próxima à costa do Peru e do Equador, a anomalia semanal foi de +4,6°C na última semana de outubro, igualando o índice de junho de 1983. O meteorologista Leydson Dantas destaca que a comparação entre dados semanais e mensais exige cautela, pois os períodos de referência são distintos.
O episódio atual começou a se formar em junho de 2026 e vem se intensificando desde então. A Organização Meteorológica Mundial avalia que este pode estar entre os El Niños mais fortes já registrados.
Esse aquecimento altera a circulação atmosférica e muda os padrões de chuva e temperatura em escala global. Para o Brasil, a previsão do INMET para o trimestre de novembro de 2026 a janeiro de 2027 aponta maior chance de chuva acima da média na Região Sul e em partes do Sudeste e Centro-Oeste.
Em contrapartida, a expectativa é de chuva abaixo da média em grande parte do Norte e em áreas do Nordeste. As temperaturas devem permanecer acima da média em quase todo o território nacional.
Um alerta do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais indica que o fortalecimento do El Niño eleva o risco de estiagens e secas prolongadas no semiárido nordestino e na Bacia Amazônica, com impactos no abastecimento e nas atividades produtivas que podem persistir até 2027.